Notícia - Enquanto o verão castiga, garis chineses ganharam coletes com ventilação embutida e roupas que absorvem o calor 03/08/2026
Enquanto o verão castiga, garis chineses ganharam coletes com ventilação embutida e roupas que absorvem o calor
Enquanto o verão castiga, garis chineses ganharam coletes com ventilação embutida e roupas que absorvem o calor como uma esponja, num esforço das cidades para reduzir o risco de insolação de quem trabalha exposto ao sol
Garis de Nanjing ganharam coletes com ventilação embutida e outras cidades chinesas testam roupas com material que absorve calor contra a insolação.
Mais de 20 coletes com ventiladores foram distribuídos no distrito de Xuanwu, em Nanjing, e outros 131 modelos com material de mudança de fase chegaram a Changzhou. Uma pesquisa em Sichuan também desenvolveu um chapéu que dispensa energia elétrica para se manter frio.
Os garis que trabalham nas ruas de Nanjing, na província de Jiangsu, no leste da China, passaram a usar coletes equipados com ventiladores embutidos durante o verão, conforme reportagem publicada pelo jornal Global Times, com base em informações divulgadas pela emissora estatal CCTV News. Mais de 20 unidades foram distribuídas no distrito de Xuanwu desde o início da temporada.
A peça se parece com um colete refletivo comum à primeira vista. A diferença está em dois pequenos ventiladores silenciosos, um de cada lado, com três velocidades disponíveis, que forçam a circulação de ar dentro da roupa e ajudam a dissipar o calor do corpo de quem a veste.
Como funciona o colete com ventilação
O princípio é mecânico e não envolve refrigeração de fato. Os ventiladores puxam ar para dentro da peça e o fazem circular junto ao corpo, o que acelera a evaporação do suor e melhora a troca de calor entre a pele e o ambiente.
A alimentação vem de uma bateria portátil, e a autonomia informada é de três a quatro horas de uso contínuo com carga completa. Segundo o relato apresentado na reportagem, uma recarga durante o intervalo do almoço é suficiente para cobrir todo o turno da tarde.
Vale a precisão sobre o nome. Chamar a peça de colete com ar-condicionado é apelido, não descrição técnica, já que não há sistema de compressor nem geração de ar frio, apenas ventilação forçada. O efeito é real, mas depende do ar do ambiente e da evaporação do suor.
O relato de quem vestiu primeiro
Entre os primeiros a testar o equipamento está Zhu Wenxian, trabalhador de saneamento que descreveu uma redução significativa do desconforto térmico durante a jornada.
Segundo o relato dele, a peça gera uma corrente de ar na altura da cintura que sobe e refresca a parte superior do corpo. Ele também destacou que o ruído dos ventiladores é quase imperceptível, ponto relevante para quem passa o dia inteiro com o equipamento ligado.
Esse detalhe do barulho não é trivial em equipamento de proteção. Roupa que incomoda deixa de ser usada, e ventilador ruidoso junto ao corpo por oito horas seria motivo suficiente para o trabalhador desligar o sistema e anular a proteção.
A expansão para o resto da cidade
O departamento de gestão urbana de Nanjing informou que pretende ampliar a distribuição do colete para outras regiões, equipando mais trabalhadores que atuam em áreas externas.
A repercussão nas redes sociais chinesas acompanhou a iniciativa, com internautas defendendo que o equipamento seja adotado em escala nacional. A reportagem não informa se existe qualquer plano governamental nesse sentido nem prazo para eventual ampliação.
Também não constam no material o custo unitário da peça, o fabricante responsável pelo modelo usado em Nanjing nem quantos trabalhadores de saneamento atuam no distrito, o que impediria calcular a proporção de cobertura das 20 unidades distribuídas.
O colete que funciona sem bateria
Em Changzhou, também em Jiangsu, foi adotada uma tecnologia diferente. Uma empresa local doou 131 coletes de resfriamento com material de mudança de fase para trabalhadores de saneamento da cidade.
Esse tipo de peça não depende de ventilador nem de bateria e oferece de 2,5 a 4 horas de resfriamento, com o objetivo declarado de reduzir o risco de insolação em jornadas sob alta temperatura.
O princípio de funcionamento é químico, e não mecânico. Segundo Li Rui, representante da empresa Carbon-Based, sediada em Shenzhen, que desenvolveu o colete, os materiais de mudança de fase regulam a temperatura absorvendo e liberando grandes quantidades de calor por meio de alterações no próprio estado físico, sem que sua temperatura oscile de forma significativa nesse processo. A comparação usada por ele é a de uma esponja de energia, que absorve calor quando o ambiente esquenta e o devolve quando a temperatura cai.
A explicação apresentada pelo desenvolvedor responde a uma pergunta óbvia. Se o objetivo é resfriar, por que não recorrer a compressas geladas, que custam menos e estão disponíveis em qualquer lugar?
O argumento é fisiológico. Segundo Li Rui, o material de mudança de fase evita o risco de resfriamento excessivo, situação que ocorre com contato direto de gelo e pode superestimular a região do pescoço, com potencial de desencadear problemas de saúde repentinos.
A empresa desenvolveu também um colar e um gorro com a mesma tecnologia, ampliando os pontos do corpo cobertos pelo sistema. A regulação automática da temperatura é o diferencial apontado, já que o material trabalha dentro de uma faixa estável em vez de aplicar frio intenso e pontual.
O chapéu que não precisa de eletricidade
Na província de Sichuan, no sudoeste do país, uma equipe de pesquisa desenvolveu uma solução que dispensa completamente qualquer fonte de energia.
Trata-se de um chapéu de resfriamento que mantém a temperatura interna em até 28,4 graus, contra 44,6 graus registrados dentro de um chapéu comum nas mesmas condições. A diferença de mais de 16 graus é o dado mais expressivo apresentado no material.
O funcionamento depende de ajustes nos materiais e na estrutura da peça, que controlam a reflexão solar e a radiação térmica. Segundo informações do portal ynet.com, afiliado ao Beijing Youth Daily, essa combinação permite resfriamento eficaz sem consumo elétrico. Solução passiva não precisa de recarga, não pesa e não para de funcionar no meio do turno, características que importam para quem trabalha longe de tomada.
Drones e laser no lugar de subir em poste
O esforço de reduzir a exposição ao calor não se limita a roupas. No setor elétrico chinês, a estratégia adotada é diminuir o tempo que o trabalhador passa exposto, e não apenas protegê-lo enquanto está exposto.
Drones e plataformas elevatórias elétricas passaram a ser usados na verificação e manutenção de linhas de transmissão. A comparação apresentada é direta: subir manualmente em um poste leva cerca de uma hora, enquanto o uso de equipamento mecânico reduz esse tempo para dez minutos, com esforço físico bem menor.
Há ainda o uso de ferramentas a laser para remover à distância árvores e galhos que obstruem as linhas. A técnica elimina a necessidade de escalada e de desligamento da rede, o que melhora tanto a segurança do trabalhador quanto a continuidade do fornecimento. Seis vezes menos tempo no alto, sob sol direto, é redução de risco antes de qualquer equipamento de proteção.
Proteger ou reduzir a exposição
Colocadas lado a lado, as iniciativas descritas seguem duas lógicas distintas de enfrentamento do mesmo problema.
A primeira é a da proteção individual: colete ventilado, colete com material de mudança de fase, colar, gorro e chapéu refletivo atuam sobre o corpo do trabalhador enquanto ele permanece exposto ao calor.
A segunda é a da eliminação da exposição, representada pelos drones, pelas plataformas e pelas ferramentas a laser, que retiram a pessoa da situação de risco. A segunda abordagem é sempre mais eficaz que a primeira, mas nem toda função permite substituição por equipamento, e varrer rua é justamente uma delas.
O que o material não informa
Alguns pontos ficam em aberto na apuração e limitam a avaliação do alcance dessas medidas. Não há informação sobre as temperaturas registradas nas cidades citadas durante o período, nem sobre casos de insolação entre trabalhadores antes ou depois da adoção dos equipamentos.
Também não constam dados sobre a jornada desses profissionais, sobre a existência de pausas obrigatórias em horários de pico de calor ou sobre qualquer regulamentação trabalhista específica para atividade externa em alta temperatura.
Sem esses elementos, é impossível medir a efetividade real das peças. Equipamento distribuído não é o mesmo que risco reduzido, e o material não apresenta indicador de resultado, apenas de adoção.
Uma discussão que não é exclusiva da China
O problema que essas cidades tentam resolver é global e conhecido de quem trabalha na rua em qualquer país tropical. Varrição, coleta, construção civil, entrega e manutenção urbana concentram exposição prolongada ao sol, e o calor extremo já é tratado como risco ocupacional em várias partes do mundo.
O que muda de um lugar para outro é a resposta. Ela pode vir por equipamento, por reorganização de jornada, por sombreamento, por hidratação obrigatória ou por regulação que limite o trabalho em determinadas faixas de temperatura, e essas alternativas não são excludentes entre si.
E você, já viu algum equipamento assim sendo usado por quem trabalha na rua no Brasil? Acha que colete com ventilador resolve ou que o caminho seria mudar o horário da jornada nos dias mais quentes.
SIEMACO SOROCABA / SALTO - Sindicato Específico dos Empregados nas
Empresas de Limpeza Urbana, Áreas Verdes, Limpeza e Conservação